terça-feira, 24 de março de 2015

achar o fio à meada

No passado domingo «achou-se o fio à meada» no Notícias Magazine. Eu sei que o espaço é limitado para estes artigos, e compreendo que seja suficiente para dar a conhecer ao público que o tricot nos dias de hoje já não é só feito por velhinhas, mas soube a pouco para aqueles que adoram tricotar e que sentem e vivem isto de outra maneira. Por este motivo, e à semelhança da Rosa, também me apeteceu partilhar mais.

(O resto da entrevista talvez compense a fotografia gigante que robou espaço ao texto e não sei porque raio, numa reportagem onde todos estão a fazer malha confortáveis, escolheram uma fotografia minha sentada em cima duma mesa e de perna traçada, para estar no site :-/ …)


Nome? Idade? Formação/profissão?
Vera Espinha. 40 anos. Designer gráfica.

O tricot é atualmente uma ocupação a tempo inteiro? Que espaço ocupa na sua vida e como o concilia com o resto? Como é que tudo começou para si?
O tricot não é uma ocupação a tempo inteiro. Está reservado para o final do dia, substitui muitas vezes o computador e a televisão, faz-me companhia enquanto espero que a minha filha termine as aulas de sapateado e de natação, e é um excelente motivo para um encontro com outras amigas que gostam de tricotar.
O primeiro contacto com o tricot foi logo em criança, como também o crochet, lembro-me de ver a minha mãe estar a fazer camisolas e de lhe pedir para fazer um bocadinho de ponto meia e liga, e através da minha avó paterna, que fazia imensas pantufas e de lhe pedir também para experimentar.
Por volta dessa idade ofereceram-me um tear azul de pregos, e aí é que eu fazia várias tiras de tricot às cores com as sobras das lãs. Foi durante a adolescência que me entusiasmei mais com o tricot, aprendi a começar um trabalho e a rematar com a minha mãe e outras técnicas simples com mães de amigas minhas. Nessa altura lembro-me de começar a fazer coisas para mim e de ser bastante autodidata! Arriscava em fazer camisolas e cheguei a fazer um casaco do tipo «serra da estrela». Há dois anos decidi aprender como deve ser e inscrevi-me em vários workshops.

Como se explica que o tricot seja hoje uma tendência tão marcante quando, ainda não há muitos anos, não se via com bons olhos que uma mulher cosmopolita tricotasse? O que mudou entretanto?
Há quem tricote porque sempre ticotou e essas pessoas não deixarão de o fazer, seja «moda» ou não, mas, também há quem tenha começado só hoje a tricotar porque alguém considerou isto uma nova «tendência» e não deseja ficar de fora. O mais importante é que as pessoas estão a descobrir que é giro poder fazer as suas próprias peças, e aprendem a dar mais valor a tudo o que é feito à mão.
A roupa em tricot que antigamente poderia fazer-se por necessidade, hoje, estamos a descobrir o prazer de a fazer para além dessa necessidade. O estatudo de quem comprava tudo já feito era diferente de quem precisava de o fazer e, felizmente, isso está a mudar.

Quando, no 7º ano, eu comentava que a camisola que eu trazia vestida tinha sido feita pela minha mãe e a minha mãe também a tinha usado, ou o estojo de crochet onde guardava os lápis tinha sido eu a fazê-lo nas férias de verão, aos olhos de outros colegas da mesma idade isso era uma coisa estranha, arriscava-me a ser considerada uma adolescente pouco interessante porque fazia coisas de velhas. Senti esse tipo de juízo até há 10 anos atrás, altura em que gerações mais novas com formação superior, mas, com dificuldade em encontrar trabalho começaram a fazer artigos em tricot e em crochet para vender em feiras, que na altura começaram a designá-las por feiras de artesanato urbano. Aí começaram a valorizar mais quem fazia este tipo de trabalho, deixaram de associar esse tipo de atividades manuais à falta de formação ou de conhecimento porque eram pessoas jovens com formação noutras áreas a fazê-lo.

Provavelmente, quem hoje acha curioso e engraçado ver-me fazer tricot ou crochet em público, já achou o contrário há 20 anos atrás mas já não se lembra. De um momento para o outro eu é fiquei na «moda» sem fazer intenções disso.

Em que é que se inspira para criar? Que peças costuma fazer?
No caso do tricot, serve de inspiração ver outras peças já realizadas, ver os outros vestirem as suas próprias criações em malha, isso dá-me vontade de pegar nas agulhas e fazer também qualquer coisa para mim, porém, a maior parte das vezes a inspiração surge através da lã, duma meada com uma textura espetacular ou da cor de um fio, isso é o que me chama mais a atenção e pensar no que poderia fazer com ela. À medida que fui aprendendo nos workshops que frequentei vou arriscando em fazer outro tipo de peças para além de cachecóis e golas. Já não arrisco em fazer uma camisola sem uma receita como há 20 anos atrás. Agora quero saber fazer bem, e fico orgulhosa de já conseguir interpretar algumas receitas de tricot que anteriormente não percebia e não tinha a quem perguntar.

Qual a que mais gozo lhe deu a tricotar até à data? Alguma história especial associada a essa em particular?
Há poucas semanas fiz às escondidas uma camisola sem mangas para oferecer à minha filha no seu aniversário, segui uma receita de tricot que a Rosa Pomar tinha publicado no seu blogue, e fiz-lhe uma gola em crochet criada por mim. Deu gozo fazer a camisola porque a lã é fabulosa e dá gozo vê-la a usar o que lhe faço. E ainda me deixa mais feliz ela dizer orgulhosamente que foi a mãe que lhe fez.

Depois de aprender a tricotar a cores, fiz as «caneleiras poveiras» que está no livro das Malhas Portuguesas e gosto tanto delas que as uso muitas vezes!
Também adoro fazer meias. Faz-se rápido e é um trabalho portátil, leva-se para qualquer lado. Aprendi há dois anos num dos workshops com a Rosa Pomar e com a Zélia Évora. Mesmo que fiquem escondidas pelas botas e ninguém as veja eu sei que as trago vestidas!

Quanto tempo leva, em média, a conceber e confecionar cada uma? Quais as maiores dificuldades, de um modo geral?
Uma gola feita com uma lã grossa ou um gorro simples, posso demorar dois serões, mas não costumo ter em mãos só uma peça, costumo ter duas ou três e vou alternando quando me apetece. Não controlo o tempo porque são poucas as vezes que as faço com a intenção de as vender. No tricot preciso de pensar como vou construir uma certa peça, registo alguns apontamentos, faço uma amostra, ainda não é tão intuitivo como no crochet que domino muito melhor.

Que técnicas existem ao certo e quais as mais correntemente utilizadas?
(Não sou a melhor pessoa para responder).

E em relação aos materiais: temos uma boa oferta no país? Onde costuma comprar os seus?
Começamos a ter uma boa oferta desde que Rosa Pomar veio revolucionar a nova era das malhas em Portugal. Além de ensinar a fazer malha oferece-nos outras opções de materias de boa qualidade que não encontramos noutras lojas.
Geralmente compro agulhas e lãs na Retrosaria, na Dotquilts, numa pequena retrosaria que fica no mercado de Carnaxide e na Artimoda que fica em Alvalade. Também compro noutras lojas, se ao passar, avistar pela montra qualquer coisa que me agrade.

O que é preciso para alguém começar a tricotar? É uma arte fácil de aprender? E uma ocupação cara ou, pelo contrário, acessível a todos quantos queiram aventurar-se neste universo?
É só preciso querer e ter alguém que tenha paciência para ensinar. Procurar algum familiar que saiba ou pesquisar onde possa pagar para ter umas aulas. Eu acho fácil de aprender, e a malha ficará mais bonita à medida que praticamos, os erros também acontecem e muitas vezes tenho que desmanchar, mas volto a tentar. A arte de fazer malha também nos ensina a sermos mais pacientes.

Se é caro? Depende do que consideramos caro. Há quem ache muito caro os workshops, mas ninguém pensa no trabalho que dá organizar tudo. Como este tipo de conhecimentos sempre foi pouco valorizado, há quem ache que quem tem conhecimentos para ensinar deveria fazê-lo quase de borla. Infelizmente, por muitos anos que passem há coisas que nunca irão mudar.
Eu posso ir comprar 5 pares de meias, feitas por alguém que não conheço numa loja onde todos compram, posso andar igual a outras tantas pessoas, mas, também posso investir em mim…Pagar um workshop para adquirir os conhecimentos para saber fazer, posso escolher os meus próprios materiais e fazer um par de meias que ninguém tem. E quando se romperem remendo-os, não os deito fora. Quando somos nós próprios a fazer as coisas damos-lhes mais valor.

Há materiais caros e baratos, quem tem possibilidade de investir um pouco mais na qualidade dos materiais não se irá arrepender depois da peça feita, quem não essa possibilidade tem outras opções no mercado, não são tão boas, mas são válidas para quem deseja muito tricotar.
Eu aproveito a altura do Natal e do meu aniversário para pedir lãs ou agulhas como presente. Podia pedir uma camisa, um cachecol novo ou um perfume, mas fico muito feliz se me oferecerem lã para eu escolher o que fazer, mesmo que não a utilize para mim, posso tricotá-la e depois oferecer a um amigo.

sábado, 14 de março de 2015

inspiração para futuros remendos

Imagem retirada daqui.


Imagens 1 e 2 via pinterest - Kim Morris.

Imagens 1 e 2 retiradas de um dos meus blogues favoritos.

Imagem via pinterest.


Como o velho e o usado podem tornar-se incrivelmente bonitos.

sábado, 7 de março de 2015

xaile

Comecei por fazê-lo para o ter à venda no showroom mas não fui a tempo de o terminar, entretanto afeiçoei-me a ele e ficou para mim.


quarta-feira, 4 de março de 2015

remendar





Ao virar a esquina de um corredor, rasguei a manga do vestido de malha num extintor de parede nem sei bem como.
Depois de várias semanas a pensar e a olhar para o meu arquivo dos remendos, enchi-me de coragem e peguei numa agulha de crochet de 0, 9 mm e numa linha grossa, que se utiliza para costuras mais resistentes, e encontrei a solução bem à minha maneira.

domingo, 1 de março de 2015

wip



domingo, 22 de fevereiro de 2015

coisas simples


Depois de a ter tricotado, experimentei trabalhar a zagal com uma agulha de crochet só para ver como resultava. Tratando-se de uma lã grossa fiz uma pega de cozinha quadrada.

Utilizei uma agulha de crochet de 6 mm. A base tem 19 malhas de cordão e todas as 22 carreiras foram feitas em ponto baixo – ao chegar a meio troquei de cor. Em vez da aselha tradicional utilizei um bocado de fio de camurça para combinar com as franjas das outras três pontas. Contornei toda a peça com uma malha em ponto de cadeia (ponto baixíssimo) e nos cantos fiz duas no mesmo espaço.

Mais simples do que isto não há.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

a camisola zagal

Segui a receita da Rosa. A é espetacular, só me apetece fazer mais coisas com ela. Foi como estar a ler um livro e não querer chegar ao fim por estar a gostar tanto (será que posso comparar?).

Vê-la com a camisola vestida, é sentir que lhe dou uma espécie de abraço gigante o dia inteiro ♥.